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GUIDABLE – A Verdadeira História do Ratos de Porão

GUIDABLE é o registro oficial de quase três décadas do Ratos de Porão, uma das bandas mais importantes de hardcore mundial. Para traçar essa trajetória, o documentário faz uma pequena introdução ao surgimento do punk no Brasil, com depoimentos exclusivos de personalidades do início do movimento, como Rédson, líder e vocalista da banda Cólera; Clemente, líder e vocalista da banda Inocentes; Fabião, líder e vocalista da banda Olho Seco; além dos criadores originais da banda Ratos de Porão, os primos Jão e Betinho, que contam como tiveram a idéia de montar uma banda e como surgiu o nome Ratos de Porão.

A primeira formação da banda, com Jabá (ex-baixista) e Mingau (ex-guitarrista), que hoje em dia toca na banda Ultraje a Rigor, é ilustrada com relatos e imagens das primeiras músicas, shows e fãs. Os integrantes comentam, ainda, sobre o convite para a gravação do primeiro registro da banda em vinil, uma coletânea com outras bandas punks da época, intitulada SUB. E relembram O Começo do Fim do Mundo, primeiro festival punk do Brasil, que ocorreu no SESC Pompéia, em São Paulo, além do colapso que ocorre no movimento punk, devido a uma matéria sensacionalista realizada pelo programa Fantástico, da Rede Globo.

Segue, então, a apresentação de João Gordo. Entre imagens raras e seu depoimento, o vocalista relata como começou a se envolver com o movimento e com os punks de São Paulo, sua entrada para a banda depois de um ensaio e o reflexo que isto teve em sua vida. Gordo comenta, ainda, sobre Crucificados Pelo Sistema, de 1983, primeiro LP integral de uma banda hardcore punk da América Latina e que se tornou um dos mais importantes álbuns do gênero no mundo.

Com a saída do guitarrista Mingau e a ida do baterista e criador da banda, Jão, para a guitarra, Spaghetti é convidado a ocupar o posto de baterista. Após anos sem rever os membros da banda, Spaghetti dá um depoimento emocionado sobre sua época como baterista do Ratos de Porão, nas fases dos discos Descanse em Paz e Cada Dia Mais Sujo e Agressivo.

GUIDABLE resgata, nesta fase, a amizade entre Ratos e Sepultura durante a gravação do disco Cada Dia Mais Sujo e Agressivo, em Minas Gerais, com entrevistas exclusivas do guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser, e do ex- baterista do Sepultura, Iggor Cavalera, além de vídeos raros das apresentações em conjunto, aparições em TV, Hollywood Rock e shows com participação de Jello Biafra, vocalista da lendária banda Dead Kennedys.

Os depoimentos do disco Brasil, um dos maiores clássicos do hardcore / metal nacional, bem como o próximo disco, Anarkophobia, são ilustrados por fotos e vídeos pessoais dos integrantes da banda.

Com a saída de Spaghetti, entra no posto de baterista, Boka, que relata como foi seu teste para o cargo e as piadas e brincadeiras dos outros integrantes da banda, devido a seu estilo surfista e por morar na praia. Com Boka na banda, começa uma nova fase no Ratos de Porão. Todos os membros acabam se viciando em drogas e não conseguem compor novas músicas para produzir um disco inédito. O resultado é um disco ao vivo, o RATOS DE PORÃO – AO VIVO, que tem uma boa recepção do público. Mas os problemas com as drogas pioram e acarretam na expulsão do baixista Jabá, que não conseguiu se livrar do consumo de crack, enquanto os outros integrantes largavam as drogas pesadas.

No lugar de Jabá, entra Walter Bart, que não dura nem um ano na banda. Segundo os depoimentos dos outros membros, Walter era “bonzinho demais”, “idiota”, e não se adequou ao estilo de vida agitado e barra pesada dos outros membros.

Walter dá lugar a Pica Pau, que se adapta facilmente ao Ratos. Segue um extenso relato sobre as diversas turnês pelo mundo, depoimentos sobre o dia-a-dia na estrada, as diferentes culturas e públicos em cada continente, e sobre a inspiração no disco Spaghetti Incident?, do Guns And Roses, que gera dois discos de covers de bandas punk/hardcore. Na seqüência, relatam a gravação do Carniceria Tropical. É nessa época que Pica Pau não agüenta mais o ritmo dos shows e estrada e acaba saindo da banda para se dedicar a profissão de tatuador. Em seu lugar, entra para o baixo, mesmo sob o protesto de alguns integrantes da banda, Fralda.

Depois de gravar o EP Guerra Civil Canibal, a banda resolve fazer uma regravação do seu primeiro disco, Crucificados pelo Sistema, intitulada Sistemados pelo Crucifa. E relembram por depoimentos e diversas imagens do show, a época em que tocaram na lendária casa norte-americana de punk e hardcore, CBGB.

Após o show do CBGB, João Gordo recorda de suas duas internações. Uma por derrame pleural devido ao abuso de drogas, álcool e cigarros, e que o ajuda a parar de fumar definitivamente. E a outra após uma recaída nas drogas durante uma de suas turnês, em que acaba tendo uma overdose de Speed Ball, uma mistura de heroína e cocaína.

No disco Onisciente Coletivo, os integrantes depõem reclamando do baixista Fralda, que vivia drogado e bêbado, não ajudando nas composições. Sua saída e substituição pelo baixista atual, o straigh edge Juninho — que não fuma, não bebe e não come carne — torna-se símbolo para os outros membros. E três deles acabam se tornando vegetarianos. Com Juninho na banda e pique renovado, a banda grava o disco intitulado Homem Inimigo do Homem, que é muito bem recebido por crítica e público, acarretando em diversas turnês pelo mundo. Essa fase é ilustrada com diversas imagens de shows, viagens, camarins e vídeos da convivência da banda nos dias atuais.

GUIDABLE termina com um show especial no Hangar 110, em São Paulo, composto apenas por músicas dos discos Crucificados pelo Sistema e Brasil. Em uma seqüência de imagens dos integrantes no backstage, intercaladas com depoimentos de membros de outras bandas a respeito da importância do Ratos de Porão, os integrantes reencontram Spaghetti, após quase 20 anos sem vê-lo. Jabá também estava presente, tornando este, um show histórico.

JÃO, guitarrista

“Eu na minha inocência acreditava que eu tava contribuindo pra que rolasse uma conscientização da minha geração e que todos andassem unidos, fortes, em prol de um bem comum para nós e para a sociedade… eu era um idiota, eu acreditava mesmo. Eu só ganhei xingo e cuspida.”

JOÃO GORDO, vocalista

“Eu comecei com essa história de punk com 13 anos de idade e foi uma coisa que me entortou a vida fodidamente, cara, o movimento punk me entortou a vida.”

BOKA, baterista

“Tem mais de 25 anos de banda, você já gravou sei lá quantos discos, é fiel a um estilo, toca aquele negócio que é hardcore, metal, às vezes um pouquinho pra lá, às vezes um pouquinho pra cá, mas é isso ai, e você fazer uma coisa que ainda é relevante, que não vai ser uma paródia do que você já fez… ter alcançado este resultado foi a maior gratificação.”

JUNINHO, baixista

“Maior felicidade pra mim, maior estranho. Fico lembrando de quando era moleque, ouvindo ratos, quando era pivete, aí depois estar compondo um disco junto dos caras, sair numa foto juntos, é louco.”

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